domingo, 6 de dezembro de 2009

God Bless The Guardian

domingo, 29 de novembro de 2009

Mr. Merritt Comes to Town


Antes que finde este ano da graça urge comemorar os dez anos dessa complexa e endiabrada compilação de paixonetas, amores-fou, noites de foda esquecidas, corações quebrados e dor de corno à fartazana que é 69 Love Songs, dos Magnetic Fields.


Lembro-me de uma vez ouvir o Jeff Buckley dizer, antes de começar um cover à The Boy With The Thorn in His Side, que aquela música dos Smiths o tinha ajudado a evitar "creepy things, sometimes". É isso que se encontra em muitas destas 69 composições, um manancial de humanidade. Uma epifania em 3 CDs.




Os gafanhotos


Evitar que o blog deslize para uma hibernação profunda à força de excertos e citações é um golpe barato, eu sei.


Ainda assim, e porque sim, aqui vai esta.

"Only those who still have hope can benefit from tears. When they finish, they feel better. But to those without hope, like Homer (e como eu, já agora), whose anguish is basic and permanent, no good comes from crying. Nothing changes for them. They usually know this, but still can't help crying."

The Day of the Locust, Nathanael West

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Lust for Life


"oh i wish i had a boyfriend

i wish i had a loving man in my life
i wish i had a father
and maybe then i woulda turned out right
but now i'm just crazy i'm totally mad
yeah i'm just crazy i'm fucked in the head

and maybe if i really tried with all of my heart
then i could make a brand new start in love with you

oh i wish i had a sun tan
i wish i had a pizza and a bottle of wine
i wish i had a beach house
then we could make a big fire every night
instead i'm just crazy i'm
totally mad
yeah i'm just crazy i'm fucked in the head

and maybe if i really tried with all of my heart
then i could make a brand new start in love with you

cmon cmon cmon kayda"



Um poeta, o Cristopher Owens. Quem me dera ser fodido dos cornos e escrever (e compor) com esta fúria, em vez de estar furiosamente preso dentro de cornos fodidos.

Lemon Fields Forever


Um gajo, mergulhado no
ennui de sempre, abandona este depósito por umas semanas e quando volta, out of the blue, foi visitado e galantemente comentado por uma menina (A menina, aliás) autora de um bom e bonito blog (pilinha para quê?).

(uns tragos de whisky depois)

Agradeço imenso, mas eu sou um screw up do pior. Um Mr. November para lá de qualquer motivação. Enfim, espera sempre o pior (e o mais parvo).

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Maitêgate


A minha resposta atrasada à grande ofensa perpetrada pela Sô Dona Maitê Proença contra esta grande nação, a pátria de Camões e demais luminárias (que ela não deverá conhecer).




Vê, minha senhora, se era para fazer, fazia bem feito, não acha? Mas pior, um vídeo velho que só envergonha a idiotice da autora acaba por me fazer sentir achincalhado com os pruridos deste meu povo, uns santos, umas virgens ofendidas que adoram brasucas. Um bocadinho de decência e tomates, por favor.

Joanna e a canalhada


Tudo bem, gosto da música (como alguém disse, os MGMT são uma "college experience gone horribly right") e tal, mas qualquer banda que convide a Joanna Newsom para ser a mãe ligeiramente negligente no videoclip merece um louvor. Esta senhora é um exemplo de coerência: não só compõe e canta como um elfo, como também tem a gentileza de se parecer com um (uma, aliás).


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ainda mais diálogos agustinianos

Desta feita no blog do Pedro Mexia. "Conhece Benidorm, madame?", diz o mordomo Caires, que Ema julgava ser um espião russo na Quinta do Vesúvio. Um homem carcomido pelo ciúme e pelo desejo, pior, afundado numa bruta concupiscência e, ao mesmo tempo, espartilhado pela idade e pelo uniforme. Pobre Caires, atira-lhe Ema a certa altura, já é ele um proprietário abastado. Pobre indeed.


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"esta mulher é uma fogueira"


A maior prosadora da língua portuguesa e sucessora evidente, na lógica pessoana, do padre António Vieira enquanto imperatriz da lusa língua, celebra hoje 87 anos. A imagem autocrática e régia caí bem sobre a assolapada adoração que lhe voto, como já escrevi por aqui. É um génio buliçoso ao qual me submeto, eu, cordeiro tresmalhado na mediocridade. Há passagens e passagens que são como fogachos de pólvora na penumbra da estupidez. Não há ninguém que opere tão bem os factores desse tal vício que é a alma. 87 são (ou serão) 8700, haja quem sacrifique o idílico e não se importe de, for once, manobrar uma espada sem copos, e encher as mãos de sangue, if you get what I mean. Que conte muitos, D. Agustina, ou poucos, se o desejar. É a minha prova de dedicação. Ou a melhor prova de uma amizade que o não é.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nota para uma peça


Homem maneta soterrado após um terramoto recebe a visita de D. Sebastião, e ambos planeiam uma candidatura para a presidência do condomínio de um prédio em Faria Guimarães. Salvos pelos sapadores, Sebastião volta a trabalhar num McDonald's e o maneta descobre que o vizinho do 2ºA tem mandato vitalício.

(não, não fumei nada nem andei a ler Woody Allen - é tudo de andar a ouvir The xx:
puta que os pariu.)




quarta-feira, 7 de outubro de 2009


mas se é mesmo para falar do Nobel,
vão ao sítio certo.

American boys


Senhores que gostaria de ver a discursar em Estocolmo:


O Roth
(viva Zuckermann, viva Sabbath! Pum!)



O Dylan
(Mr. Tambourine Man, Visions of Johanna...)



O Pynchon
(sujeito mind-blowing: Lote 49, Gravity's Rainbow...)


P.S: Lobo Antunes, tira as mãozinhas. Se o Nobel vier para o burgo outra vez, é para a enorme Agustina;

P.P.S:
sobre a imagem simpsoniana do Pynchon, prefiro isto à foto manhosa do marinheiro dentolas nos anos 50 (e, suspeito, ele concordaria).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Do republicanismo


A minha vénia à viçosa Dama de seios desnudos, que se aproxima rapidamente do seu centenário.


"Vai para cem anos, em 5 de Outubro de 1910, uma revolução em Portugal derrubou a velha e caduca monarquia para proclamar uma república que, entre acertos e erros, entre promessas e malogros, passando pelos sofrimentos e humilhações de quase cinquenta anos de ditadura fascista, sobreviveu até aos nossos dias. Durante os enfrentamentos, os mortos, militares e civis, foram 76, e os feridos 364. Nessa revolução de um pequeno país situado no extremo ocidental da Europa, sobre a qual já a poeira de um século assentou, sucedeu algo que a minha memória, memória de leituras antigas, guardou e que não resisto a evocar. Ferido de morte, um revolucionário civil agonizava na rua, junto a um prédio do Rossio, a praça principal de Lisboa. Estava só, sabia que não tinha qualquer possibilidade de salvação, nenhuma ambulância se atreveria a ir recolhê-lo, pois o tiroteio cruzado impedia a chegada de socorros. Então esse homem humilde, cujo nome, que eu saiba, a história não registou, com uns dedos que tremiam, quase desfalecido, traçou na parede, conforme pôde, com o seu próprio sangue, com o sangue que lhe corria dos ferimentos, estas palavras: “Viva a república”. Escreveu república e morreu, e foi o mesmo que tivesse escrito: esperança, futuro, paz. Não tinha outro testamento, não deixava riquezas no mundo, apenas uma palavra que para ele, naquele momento, significaria talvez dignidade, isso que não se vende nem se deixa comprar, e que é no ser humano o grau supremo."

José Saramago, com um agradecimento ao Esquerda Republicana.

domingo, 4 de outubro de 2009

Phantom Limb


Danke schön, herr Daniel. Duplamente agradecido, aliás, porque provavelmente nunca teria visto o sublime Falkenberg não fosse o teu entusiasmo com esta pérola, na altura em que o mostraram no Indie. Yep, eu sou um seguidor veterano do teu blog.

sábado, 3 de outubro de 2009

Amor-facínora


Compartilho a visão do Mestre - é de facto um cabrão, o amor:

"(...)
- E a seguir? - perguntou Ivan - E, por favor, não omita nada.
- A seguir? - repetiu o visitante - Bem, pode adivinhar o que aconteceu depois. - Limpou com a manga direita uma lágrima furtiva e continuou: - O amor surgiu à nossa frente como um assassino que surge do nada num beco, e atacou-nos aos dois simultaneamente! Como um raio, como um punhal finlandês!", in Margarita e o Mestre, do Bulgákov

Bulgákov


A minha mais recente panca é Margarita e o Mestre, romance de Bulgákov, diabólico em toda a extensão do termo. Ando parvo e siderado com a caterva de gente endemoninhada que passeia, flutua e enlouquece nas ruas de Moscovo e da Jerusálem de Pilatos. O que leva Woland (um Satã fleumático) e o seu inspirado séquito a visitar uma urbe moderna? É difícil adivinhar melhor cenário para machadar a obsessão positivista contemporânea do que a Rússia estalinista, repressiva, ultra-burocratizada e militantemente ateísta. Não que eu próprio creia em algo, mas a transcendência e o misticismo são intrinsecamente humanos. Mais importante é a diversão histérica que se retira das narrativas absolutamente surreais, delirantes do Bulgákov, desde a estroinice de Behemot, o gato preto gigante e falante que é o bobo do Diabo, até ao voo de Margarita e da criada. Por outro lado, a vertente mais reflexiva do romance tem-me deixado a dormir mal. Diz o Diabo a Mateus que a paranóia dele e de Jesus com a luz pura e a bondade intrínseca das pessoas é uma tolice, "pois que aspecto teria a terra se as sombras desaparecessem?"; e isto tem muito a ver com a epígrafe do livro, retirada de uma obra "irmã", O Fausto de Goethe: "Sou parte daquela força que eternamente quer o mal e eternamente faz o bem."

to be continued (se me apetecer)


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ilhas Marquesas (III)


Aparentemente desde o início deste blog, e por um lapso que faria Freud sorrir, o fuso horário escolhido nas definições era o de uma das faixas do Oceano Pacífico. Uncanny, hey?


Primeira prancha de Vito Mau Agoiro, um dos volumes do Spirou e Fantasio

Uma palavra aos que cada vez mais pensam como eles




Guilhotina


P.S. Estou com o fígado a funcionar razoavelmente bem; de outra forma iria reflectir um pouco sobre a profissão das mães destes "racistas sociais" (well said, prof. Louçã)

sábado, 1 de agosto de 2009

este blogger ruma para sul, e dará noticias se tiver vontade ou ligação à altura.

até mais ver

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Regressos auspiciosos

un canadien errant


Se bem que curtos. Helicóptero para Lisboa, anyone?


P.S: lamento imenso o que sucedeu ao Massa, e que as coisas se tenham processado desta maneira, mas o Schumi é um herói de infância. Incontáveis os almoços de Domingo em que espetava os olhos na têvê, garfo esquecido a meio caminho da boca, a implorar que os mecânicos da Ferrari não demorassem mais de 6,4 segundos, ou a empurrar o monolugar vermelho-rutilante para a ultrapassagem depois de uma qualquer chicane. E nem me venham com o alegado maquiavelismo e amoralidade deste senhor. Desde que ele se reformou a F1 tornou-se um recreio para imberbes cheios de gadgets (desculpa, Rubinho).